sábado, 27 de julho de 2019

Os ciclos da humanidade se repetem.
São ciclos. Se repetem.
Alguém está fazendo planos agora.
Alguém, nesse exato momento, está fracassando em tudo o que plajejou.
Mas outros estão obtendo sucesso nos projetos. E planejando não fracassar.
Alguém está aprendendo a andar de bicicleta. Alguém está caindo e ralando o seu joelho.
Alguém está triste. Alguém está feliz.
Alguém está caminhando. Alguém está dormindo.
Alguém está chegando em um novo lugar.
Alguém está recomeçando. Talvez pela segunda ou terceira vez.
Alguém está se apaixonando. Alguém ainda está tentando conseguir se entregar a uma paixão.
Alguém está com o coração em pedaços. São tantas as mágoas.
Mas nesse exato momento alguém está muito feliz e canta. Canta forte.
Alguém está com fome. Alguém está comendo.
Alguém está nascendo. Alguém está partindo.
Tudo está acontecendo. Tudo ainda vai acontecer.
Os ciclos da humanidade se repetem.
São ciclos. Se repetem.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Hoje resolvi voltar a escrever.

Não sei o que vai sair. Não sei no que vai dar.
Sei que preciso de alguma atividade que possa mudar um pouco o meu cotidiano e colocar pra fora, de alguma forma, tudo o que eu sinto.
Não pretendo editar. Vou sair escrevendo e transformar tudo que sinto em palavras.

Os últimos dias tem sido muito difíceis.
Coisas do coração, a tirania do tempo que passa cada vez mais rápido e a morte prematura do meu sobrinho que acabara de nascer. Foi tudo junto. Uma porrada só. Chegou tudo de uma vez e num misto de tristeza e desespero eu chorei como não fazia há uns dez anos.

Tem sido difícil mas tenho confiado em Deus, nos amigos e em todas as coisas boas que me cercam e me fazem acreditar que não estou sozinho.

Aconteceu uma coisa muito diferente comigo. Um acaso tão estranho que acho que foi enviado pra mim para que eu lembrasse de que existe algo superior e de que podemos seguir em frente de alguma maneira. Vou tentar contar sem ser muito longo:

Eu meio que tinha um medo de andar de bicicleta. Aos 8 anos fui atropelado na rua da minha casa por uma moça que tinha acabado de terminar um namoro e estava descontrolada. Saí ileso e fui para casa. Os vizinhos acharam um absurdo e foram informar meus avós. Meu avô, no desespero, foi direto até o carro da moça - que quase estava sendo linchada pelos vizinhos - e pediu por socorro. Ele segurou o volante, passando o braço por aquelas janelas triangulares chamadas quebra-vento e ela, meio desesperada com a situação, arrancou com o carro e levou meu avô arrastado por mais ou menos cem metros. Resumo da ópera: eu saí "ileso" (um micro dano no joelho esquerdo) e fui com meus familiares levar meu avô ao hospital.

Obviamente, desenvolvi um certo medo dos passeios de bicicleta. Mas ontem - numa tentativa de me sentir diferente - pesquisei por uma estação de bicicletas do Itaú, muito comuns no eixo RJ-SP. (Detalhe que ano passado já havia alugado uma bicicleta dessas em SP. Andei 5 minutos, fiquei com medo e devolvi...)

Estava no centro de SP e meu ensaio da tarde havia sido cancelado então teria tempo para tentar dar uma volta de bicicleta. Até o hotel (Vila Olímpia) era uma distância de aproximadamente 11Km (uns 30 minutos pedalando). Como não conhecia as rotas de ciclovias, coloquei o endereço do hotel no aplicativo GPS Waze e fui embora.

O que não me ocorreu é que o aplicativo me levaria até uma via expressa. (é um aplicativo para CARROS!) E foi aí que me deparei em plena Vinte e Três de Maio, num trânsito maluco. Fui xingado de viado, chamado de gostoso (provavelmente era sacanagem! hahahahaha), passei por baixo de vários viadutos e caminhei sob um sol que protagonizava a tarde paulistana.

Percebi que era muito perigoso ficar naquela via e, na primeira oportunidade que tive, peguei uma saída que dava na Brigadeiro. Perguntei a um rapaz que estava na rua se eu estava próximo da Avenida Paulista e como fazia para chegar até lá (já havia aberto o aplicativo de bicicletas e meu maior desejo naquele momento era devolver a bendita na estação mais próxima).

Ele me deu as coordenadas e eu fui seguindo. E não era NADA perto. E tinha muitas ladeiras. E o sol estava muito quente. E então eu comecei a pensar na minha vida. Pensei em tudo que está acontecendo, o que eu tenho feito para me distanciar dos problemas e quais eu tenho tentado encarar de frente. Subir aquela ladeira levando a bicicleta ao lado foi quase uma sessão de terapia oferecida ao acaso pra mim.

Cheguei na Avenida Paulista. O medo, o calor, o cansaço já não existiam mais. Estava anestesiado. Completamente suado, sem sentir as pernas e sem saber o que faria depois que deixasse a bicicleta. Foi então que parei na esquina e dei de cara com um banner "Vai de Bike? Vá de Google Maps!" E percebi o quão idiota e precipitado eu fui na tentativa de pegar uma bicicleta para tentar esquecer os meus problemas. Certamente isso ilustra uma ótima metáfora para a minha vida. (Mas isso é papo pra outros posts - ou não.)

Abri o aplicativo e coloquei o destino do hotel. A distância dava aproximadamente 20 minutos de padalada. Pensei na última 1 hora de calor, suor, cansaço, medo e reflexões e resolvi: "Por que não?"

Ao pedalar, passei por momentos de mais algumas reflexões; me alegrei ao ver as crianças com suas famílias na ciclovia e os namorados tomando sorvete; e senti um vento tão gostoso no rosto que por um certo tempo os problemas desapareceram e eu me vi mais calmo.

Em cada rua que eu entrava após a ordem da moça do Google eu pensava em como precisava mais daquilo. E não era só o passeio de bicicleta. Era todo o conjunto: a auto-análise, a percepção do mundo fora da minha caixinha, sentir o suor, ver a natureza... Sabe aquele momento em que você vive uma experiência de epifania? Era isso. Eu estava no modo automático, sem dar vazão ao que meu corpo e minha mente precisavam. E um passeio de bicicleta trouxe tantas memórias afetivas, tantas possibilidades de pensar no momento que eu estou vivendo...

Cheguei ao hotel e ainda dei uma volta a mais no quarteirão. Aproveitei para registrar esse meu momento de inspiração. (foto do post)
Desejei também que o próximo passeio de bicicleta seja acompanhado de amigos ou de uma pessoa bem especial. E vou tornar isso realidade.

Depois de devolver a bicicleta, a minha cabeça só pensava nessa música do Milton com o Lô Borges:

UM GIRASSOL DA COR DO SEU CABELO


Vento solar e estrelas do mar
A terra azul da cor do seu vestido
Vento solar e estrelas do mar
Você ainda quer morar comigo

Se eu cantar não chore não
É só poesia
Eu só preciso ter você
Por mais um dia
Ainda gosto de dançar
Bom dia
Como vai você?

Sol, girassol, verde, vento solar
Você ainda quer morar comigo
Vento solar e estrelas do mar
Um girassol da cor de seu cabelo

Se eu morrer não chore não
É só a lua
É seu vestido cor de maravilha nua
Ainda moro nesta mesma rua
Como vai você?
Você vem?
Ou será que é tarde demais?

O meu pensamento tem a cor de seu vestido
Ou um girassol que tem a cor de seu cabelo?





quarta-feira, 25 de junho de 2014

Vem novidade por aí!


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Achei esse texto antigo, um amontoado de frases, estrofes, fases e coisas da vida que juntei, misturei, mixei e que, agora, publico novamente.

TrAnSiTiVoS

As coisas se anunciam ininterruptamente
Espaços... ruído das partes
Só creio no sim do sim (quero sempre agora)
Olho e boca
Correspondência de guerra

Tenho o direito de saber se as coisas possuem nome ou se os nomes que detêm as coisas
Anseio por tocar no momento em que não serei mais eu
Aponto o dedo numa direção querendo estar em vários lugares
Consigo esquecer que esqueci que eu sigo sendo quem sou
Sugiro não existir um momento em que as coisas são só coisas
Sei que ser pequeno é questão de tempo, tempo, tempo...
Subo em árvores esperando chegar em lugares meus
Adivinho que nem tudo que existe são coisas como coisas
Suspeito, percebo, anuncio que todos os tempos - e todos os lugares - são os mesmos do mesmo
E cada mesmo é um próprio 
E cada próprio é um jardim
E cada jardim são muitas possibilidades...
Muitos equívocos...
Muitos encontros...
Muitos enganos...
Que cada jardim não é próprio...
Sou eu...
Olho e boca. 
Correspondência do sim...
O sim do sim...
Único instante de guerra...
Onde as coisas se anunciam ininterruptamente... ruído das partes...
Só creio no sim e quero sempre agora - . 

(...)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

[li.mi.te]

[Limite]

Por Marcos Lucchesi

Tudo na vida tem limite. Limite de velocidade, limite de consumo, até a matemática possui uma disciplina que se chama “limite”. O texto que você está lendo chegará ao final ou porque encontrou o limite de tempo para ser produzido ou porque esgotou as ideias a serem expostas deixando claro que, por mais abrangente que seja um tema, chegará um momento em que este será (de)limitado.

As ideias têm limites e eles são os responsáveis pelas suas diferenças. Embora todas as ideias estejam misturadas em um grande liquidificador e espalhadas por todo o mundo, seria frustrante não encontrar algum limite que pudesse diferençar ideias que não se “aproximam”.

No entanto, nem todo o limite é igual. Nem tudo é só esquerda ou só direita, só preto ou só branco, nem 08, nem 80. Existem o meio, o cinza, e existe também o número 44, responsável por determinar a divisão exata pela metade entre esses dois números e tornar possível a chegada até o número 80.

O espaço tem limite. E a palavra escolhida para esse limite talvez seja fronteira. Existem fronteiras em todo canto, e cabe destacar que até o termo “canto” já estabelece uma relação com certo tipo de fronteira. “Estou no meu canto.” Poderia também ser pronunciado como “Estou dentro dos meus limites, protegido pela minha fronteira.” E não que esse limite, aqui chamado de fronteira, seja somente aplicado aos espaços físicos, como “o meu quarto”, “a minha casa”, “o meu país”. “O meu espaço” também diz respeito às coisas que eu penso, que por serem definidas e, portanto (de)limitadas, não se aproximam com outras coisas também definidas e (de)limitadas que, devido à inúmeras ordens naturais e construções sociais, são tratadas como “diferentes”.

Assim, o limite também interfere na construção do que é diferente: o que está fora do limite estabelecido – ou seja, o limite “padrão” – é considerado diferente. Daí desdobra-se e revelam-se as ideias, os desejos, as frustrações e as relações do homem.

Como estabelecer um limite à liberdade, ou à igualdade? É claro que não podemos negar que a nossa sociedade estabelece limites para que a nossa convivência seja, digamos, mais agradável. “Como aceitar ser assaltado por um menino de rua?” Uma situação como essa excede os limites “aceitáveis” de uma sociedade com “bons modos” e padrões “desenvolvidos” de relação.

A fome de cada um tem limite. Embora os gulosos não concordem com essa afirmação, é natural perceber que o nosso estômago tem uma determinada capacidade e, portanto, também possui um limite. E por falar em fome – só por curiosidade – qual deve ser diferença entre a capacidade (limite) do meu estômago para a do menino de rua que fora citado no parágrafo acima?

A paciência também tem limite. Mas acredito que seja um dos limites mais relativos. É diferente estabelecer qual será o limite da paciência enquanto se espera a pessoa amada se aprontar para um jantar ou enquanto se espera naquela fila quilométrica do banco.

Passam muitas coisas na minha cabeça. Mas, sendo artista, não posso deixar de falar sobre a minha arte, o meu ofício. Será que a arte tem limite? Sempre pensei: “Será que algum dia, com tantas combinações, texturas e formas, seria possível limitar alguma forma de expressão artística?”. É claro que quando se fala em arte, em todas as suas expressões, conseguimos encontrar muita coisa parecida. Mas o que sempre me intrigou foi que, embora parecidas, as obras nunca são iguais. Ou seja, o limite estabelecido pelo artista “x” é diferente da fronteira que o artista “y” escolheu para dar por “acabada” a sua obra. (isso sem considerar as obras inacabadas, que dão pano de fundo pra uma discussão bem mais ampla...)

Pode ser que depois de tentar ampliar as fronteiras da minha reflexão acerca dessa simpática palavrinha, eu tenha na realidade esgarçado uma porta para uma das principais capacidades do ser humano: pensar. E pra finalizar, sem querer ser piegas ou cair na tentação de usar alguma frase de efeito, deixo aos leitores a seguinte questão: “Existem limites para pensar?”

domingo, 5 de outubro de 2008

QUASE...

Um poema do livro "Guardar":

QUASE

Por uma estranha alquimia
(você e outros elementos)
quase fui feliz um dia.
Não tinha nem fundamento.
Havia só a magia
dos seus aparecimentos
e a música que eu ouvia
e um perfume no vento.
Quase fui feliz um dia.
Lembrar é quase promessa,
é quase quase alegria.
Quase fui feliz à beça
mas você só me dizia:
“Meu amor, vem cá, sai dessa”.


De: CICERO, Antonio. Guardar. Rio de Janeiro: Record, 1996, p.69.