Delírios, buscas e encontros. De tudo o que já se viveu em pouco mais de 20 anos, da expressão artística que exala pelos poros e que nunca se deixou ser tolida pelos solavancos da realidade que insistem em questionar a naturalidade com a qual minha forma de expressão se manifesta.
terça-feira, 24 de novembro de 2015
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Hoje resolvi voltar a escrever.
Não sei o que vai sair. Não sei no que vai dar.
Sei que preciso de alguma atividade que possa mudar um pouco o meu cotidiano e colocar pra fora, de alguma forma, tudo o que eu sinto.
Não pretendo editar. Vou sair escrevendo e transformar tudo que sinto em palavras.
Os últimos dias tem sido muito difíceis.
Coisas do coração, a tirania do tempo que passa cada vez mais rápido e a morte prematura do meu sobrinho que acabara de nascer. Foi tudo junto. Uma porrada só. Chegou tudo de uma vez e num misto de tristeza e desespero eu chorei como não fazia há uns dez anos.
Tem sido difícil mas tenho confiado em Deus, nos amigos e em todas as coisas boas que me cercam e me fazem acreditar que não estou sozinho.
Aconteceu uma coisa muito diferente comigo. Um acaso tão estranho que acho que foi enviado pra mim para que eu lembrasse de que existe algo superior e de que podemos seguir em frente de alguma maneira. Vou tentar contar sem ser muito longo:
Eu meio que tinha um medo de andar de bicicleta. Aos 8 anos fui atropelado na rua da minha casa por uma moça que tinha acabado de terminar um namoro e estava descontrolada. Saí ileso e fui para casa. Os vizinhos acharam um absurdo e foram informar meus avós. Meu avô, no desespero, foi direto até o carro da moça - que quase estava sendo linchada pelos vizinhos - e pediu por socorro. Ele segurou o volante, passando o braço por aquelas janelas triangulares chamadas quebra-vento e ela, meio desesperada com a situação, arrancou com o carro e levou meu avô arrastado por mais ou menos cem metros. Resumo da ópera: eu saí "ileso" (um micro dano no joelho esquerdo) e fui com meus familiares levar meu avô ao hospital.
Obviamente, desenvolvi um certo medo dos passeios de bicicleta. Mas ontem - numa tentativa de me sentir diferente - pesquisei por uma estação de bicicletas do Itaú, muito comuns no eixo RJ-SP. (Detalhe que ano passado já havia alugado uma bicicleta dessas em SP. Andei 5 minutos, fiquei com medo e devolvi...)
Estava no centro de SP e meu ensaio da tarde havia sido cancelado então teria tempo para tentar dar uma volta de bicicleta. Até o hotel (Vila Olímpia) era uma distância de aproximadamente 11Km (uns 30 minutos pedalando). Como não conhecia as rotas de ciclovias, coloquei o endereço do hotel no aplicativo GPS Waze e fui embora.
O que não me ocorreu é que o aplicativo me levaria até uma via expressa. (é um aplicativo para CARROS!) E foi aí que me deparei em plena Vinte e Três de Maio, num trânsito maluco. Fui xingado de viado, chamado de gostoso (provavelmente era sacanagem! hahahahaha), passei por baixo de vários viadutos e caminhei sob um sol que protagonizava a tarde paulistana.
Percebi que era muito perigoso ficar naquela via e, na primeira oportunidade que tive, peguei uma saída que dava na Brigadeiro. Perguntei a um rapaz que estava na rua se eu estava próximo da Avenida Paulista e como fazia para chegar até lá (já havia aberto o aplicativo de bicicletas e meu maior desejo naquele momento era devolver a bendita na estação mais próxima).
Ele me deu as coordenadas e eu fui seguindo. E não era NADA perto. E tinha muitas ladeiras. E o sol estava muito quente. E então eu comecei a pensar na minha vida. Pensei em tudo que está acontecendo, o que eu tenho feito para me distanciar dos problemas e quais eu tenho tentado encarar de frente. Subir aquela ladeira levando a bicicleta ao lado foi quase uma sessão de terapia oferecida ao acaso pra mim.
Cheguei na Avenida Paulista. O medo, o calor, o cansaço já não existiam mais. Estava anestesiado. Completamente suado, sem sentir as pernas e sem saber o que faria depois que deixasse a bicicleta. Foi então que parei na esquina e dei de cara com um banner "Vai de Bike? Vá de Google Maps!" E percebi o quão idiota e precipitado eu fui na tentativa de pegar uma bicicleta para tentar esquecer os meus problemas. Certamente isso ilustra uma ótima metáfora para a minha vida. (Mas isso é papo pra outros posts - ou não.)
Abri o aplicativo e coloquei o destino do hotel. A distância dava aproximadamente 20 minutos de padalada. Pensei na última 1 hora de calor, suor, cansaço, medo e reflexões e resolvi: "Por que não?"
Ao pedalar, passei por momentos de mais algumas reflexões; me alegrei ao ver as crianças com suas famílias na ciclovia e os namorados tomando sorvete; e senti um vento tão gostoso no rosto que por um certo tempo os problemas desapareceram e eu me vi mais calmo.
Em cada rua que eu entrava após a ordem da moça do Google eu pensava em como precisava mais daquilo. E não era só o passeio de bicicleta. Era todo o conjunto: a auto-análise, a percepção do mundo fora da minha caixinha, sentir o suor, ver a natureza... Sabe aquele momento em que você vive uma experiência de epifania? Era isso. Eu estava no modo automático, sem dar vazão ao que meu corpo e minha mente precisavam. E um passeio de bicicleta trouxe tantas memórias afetivas, tantas possibilidades de pensar no momento que eu estou vivendo...
Cheguei ao hotel e ainda dei uma volta a mais no quarteirão. Aproveitei para registrar esse meu momento de inspiração. (foto do post)
Desejei também que o próximo passeio de bicicleta seja acompanhado de amigos ou de uma pessoa bem especial. E vou tornar isso realidade.
Depois de devolver a bicicleta, a minha cabeça só pensava nessa música do Milton com o Lô Borges:
UM GIRASSOL DA COR DO SEU CABELO
Vento solar e estrelas do mar
A terra azul da cor do seu vestido
Vento solar e estrelas do mar
Você ainda quer morar comigo
Se eu cantar não chore não
É só poesia
Eu só preciso ter você
Por mais um dia
Ainda gosto de dançar
Bom dia
Como vai você?
Sol, girassol, verde, vento solar
Você ainda quer morar comigo
Vento solar e estrelas do mar
Um girassol da cor de seu cabelo
Se eu morrer não chore não
É só a lua
É seu vestido cor de maravilha nua
Ainda moro nesta mesma rua
Como vai você?
Você vem?
Ou será que é tarde demais?
O meu pensamento tem a cor de seu vestido
Ou um girassol que tem a cor de seu cabelo?
Não sei o que vai sair. Não sei no que vai dar.
Sei que preciso de alguma atividade que possa mudar um pouco o meu cotidiano e colocar pra fora, de alguma forma, tudo o que eu sinto.
Não pretendo editar. Vou sair escrevendo e transformar tudo que sinto em palavras.
Os últimos dias tem sido muito difíceis.
Coisas do coração, a tirania do tempo que passa cada vez mais rápido e a morte prematura do meu sobrinho que acabara de nascer. Foi tudo junto. Uma porrada só. Chegou tudo de uma vez e num misto de tristeza e desespero eu chorei como não fazia há uns dez anos.
Tem sido difícil mas tenho confiado em Deus, nos amigos e em todas as coisas boas que me cercam e me fazem acreditar que não estou sozinho.
Aconteceu uma coisa muito diferente comigo. Um acaso tão estranho que acho que foi enviado pra mim para que eu lembrasse de que existe algo superior e de que podemos seguir em frente de alguma maneira. Vou tentar contar sem ser muito longo:
Eu meio que tinha um medo de andar de bicicleta. Aos 8 anos fui atropelado na rua da minha casa por uma moça que tinha acabado de terminar um namoro e estava descontrolada. Saí ileso e fui para casa. Os vizinhos acharam um absurdo e foram informar meus avós. Meu avô, no desespero, foi direto até o carro da moça - que quase estava sendo linchada pelos vizinhos - e pediu por socorro. Ele segurou o volante, passando o braço por aquelas janelas triangulares chamadas quebra-vento e ela, meio desesperada com a situação, arrancou com o carro e levou meu avô arrastado por mais ou menos cem metros. Resumo da ópera: eu saí "ileso" (um micro dano no joelho esquerdo) e fui com meus familiares levar meu avô ao hospital.
Obviamente, desenvolvi um certo medo dos passeios de bicicleta. Mas ontem - numa tentativa de me sentir diferente - pesquisei por uma estação de bicicletas do Itaú, muito comuns no eixo RJ-SP. (Detalhe que ano passado já havia alugado uma bicicleta dessas em SP. Andei 5 minutos, fiquei com medo e devolvi...)
Estava no centro de SP e meu ensaio da tarde havia sido cancelado então teria tempo para tentar dar uma volta de bicicleta. Até o hotel (Vila Olímpia) era uma distância de aproximadamente 11Km (uns 30 minutos pedalando). Como não conhecia as rotas de ciclovias, coloquei o endereço do hotel no aplicativo GPS Waze e fui embora.
O que não me ocorreu é que o aplicativo me levaria até uma via expressa. (é um aplicativo para CARROS!) E foi aí que me deparei em plena Vinte e Três de Maio, num trânsito maluco. Fui xingado de viado, chamado de gostoso (provavelmente era sacanagem! hahahahaha), passei por baixo de vários viadutos e caminhei sob um sol que protagonizava a tarde paulistana.
Percebi que era muito perigoso ficar naquela via e, na primeira oportunidade que tive, peguei uma saída que dava na Brigadeiro. Perguntei a um rapaz que estava na rua se eu estava próximo da Avenida Paulista e como fazia para chegar até lá (já havia aberto o aplicativo de bicicletas e meu maior desejo naquele momento era devolver a bendita na estação mais próxima).
Ele me deu as coordenadas e eu fui seguindo. E não era NADA perto. E tinha muitas ladeiras. E o sol estava muito quente. E então eu comecei a pensar na minha vida. Pensei em tudo que está acontecendo, o que eu tenho feito para me distanciar dos problemas e quais eu tenho tentado encarar de frente. Subir aquela ladeira levando a bicicleta ao lado foi quase uma sessão de terapia oferecida ao acaso pra mim.
Cheguei na Avenida Paulista. O medo, o calor, o cansaço já não existiam mais. Estava anestesiado. Completamente suado, sem sentir as pernas e sem saber o que faria depois que deixasse a bicicleta. Foi então que parei na esquina e dei de cara com um banner "Vai de Bike? Vá de Google Maps!" E percebi o quão idiota e precipitado eu fui na tentativa de pegar uma bicicleta para tentar esquecer os meus problemas. Certamente isso ilustra uma ótima metáfora para a minha vida. (Mas isso é papo pra outros posts - ou não.)
Abri o aplicativo e coloquei o destino do hotel. A distância dava aproximadamente 20 minutos de padalada. Pensei na última 1 hora de calor, suor, cansaço, medo e reflexões e resolvi: "Por que não?"
Ao pedalar, passei por momentos de mais algumas reflexões; me alegrei ao ver as crianças com suas famílias na ciclovia e os namorados tomando sorvete; e senti um vento tão gostoso no rosto que por um certo tempo os problemas desapareceram e eu me vi mais calmo.
Em cada rua que eu entrava após a ordem da moça do Google eu pensava em como precisava mais daquilo. E não era só o passeio de bicicleta. Era todo o conjunto: a auto-análise, a percepção do mundo fora da minha caixinha, sentir o suor, ver a natureza... Sabe aquele momento em que você vive uma experiência de epifania? Era isso. Eu estava no modo automático, sem dar vazão ao que meu corpo e minha mente precisavam. E um passeio de bicicleta trouxe tantas memórias afetivas, tantas possibilidades de pensar no momento que eu estou vivendo...
Cheguei ao hotel e ainda dei uma volta a mais no quarteirão. Aproveitei para registrar esse meu momento de inspiração. (foto do post)
Desejei também que o próximo passeio de bicicleta seja acompanhado de amigos ou de uma pessoa bem especial. E vou tornar isso realidade.
Depois de devolver a bicicleta, a minha cabeça só pensava nessa música do Milton com o Lô Borges:
UM GIRASSOL DA COR DO SEU CABELO
Vento solar e estrelas do mar
A terra azul da cor do seu vestido
Vento solar e estrelas do mar
Você ainda quer morar comigo
Se eu cantar não chore não
É só poesia
Eu só preciso ter você
Por mais um dia
Ainda gosto de dançar
Bom dia
Como vai você?
Sol, girassol, verde, vento solar
Você ainda quer morar comigo
Vento solar e estrelas do mar
Um girassol da cor de seu cabelo
Se eu morrer não chore não
É só a lua
É seu vestido cor de maravilha nua
Ainda moro nesta mesma rua
Como vai você?
Você vem?
Ou será que é tarde demais?
O meu pensamento tem a cor de seu vestido
Ou um girassol que tem a cor de seu cabelo?
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